HOJE
Quarta-Feira

17Mai

A “seca verde” e suas consequências

 




Ao observarmos a paisagem da mesorregião do agreste paraibano, diagnosticamos o fenômeno da “seca verde”, fenômeno que para os leigos causa a impressão que o período chuvoso da região está com o regime de chuvas regularizado e que por consequência teremos uma boa colheita, e que a reserva hídrica dos mananciais que abastecem os municípios do agreste está com seus volumes renovados. Entretanto a realidade é bem distinta da aparentemente representada pela paisagem, à vegetação verde, “esconde” a perda da colheita, os reservatórios vazios e a escassez hídrica vivenciada pelos habitantes da zona rural do agreste paraibano, o colapso total dos sistemas de abastecimento d’água da maioria dos municípios da região e a crise econômica agravada por mais um ano de estiagem prolongada.

Estamos nos aproximando do final do período chuvoso da região, o que torna mais angustiante a espera por chuvas capazes de recompor a reserva hídrica dos reservatórios o que irá amenizar o sofrimento do homem do campo e dos animais, e consequentemente reestabelecerá o sistema de distribuição d’água das áreas urbanas, proporcionando alento e revigorando as esperanças para que tenhamos o regime de chuvas regularizado em 2018. Infelizmente quanto mais nos aproximamos do final do período chuvoso da região, a probabilidade de termos chuvas acima da média histórica diminui, fazendo com que a dependência pelo abastecimento d’água através de carros pipa só venha aumentar.

Não sei se a economia dos municípios irá suportar mais um ano de “estiagem”, os sinais da estagnação do comércio estão visíveis, lojas dos mais variados segmentos vazias, até mesmo a feira livre e os supermercados estão recebendo um fluxo cada vez menor de clientes, o orçamento das famílias cada vez mais apertado devido os gastos com a compra de água e a inflação devido o preço das mercadorias importadas, bem mais caras que as mercadorias oriundas da região.

Todos estes fatores podem causar uma recessão local, o que não será nada bom para economia dos municípios que estão inseridos na mesorregião do agreste paraibano, tornando a população ainda mais dependente do programa bolsa família, dos benefícios da Previdência Social e dos empregos temporários nas administrações municipais e estadual.

Quando nos voltamos para a saúde da população, observamos o aumento do número de pessoas com viroses, que provavelmente podem ter uma forte ligação não só com a instabilidade do tempo, mas principalmente com a qualidade da água que está sendo consumida pela população, água que não está recebendo um tratamento adequado podendo se tornar fonte de doenças sazonais.

Portanto mais um ano com chuvas abaixo da média histórica irá favorecer o fenômeno da “seca verde”, podendo ser um colírio para nossos olhos, mas infelizmente torná-la a economia dos municípios que compõem a mesorregião do agreste paraibano cada vez mais fragilizada, bem como a saúde de sua população.

Professor Cícero